Por Dr. Hélio Correia SobrinhoFisioterapeuta · CREFITO-3 79039-F · Atualizado em
A dor no meio das costas e entre as escápulas costuma estar relacionada a rigidez da coluna torácica e das costelas, a muitas horas na mesma posição e a tensão muscular sustentada. Ela também influencia pescoço, ombros e lombar. Como essa região fica próxima de órgãos importantes, alguns sinais pedem avaliação médica antes de qualquer tratamento.

Quando falamos em “dor nas costas”
Muita gente usa “dor nas costas” para qualquer dor na coluna. Se a sua dor é na parte baixa, veja a página de dor lombar. Se é no pescoço, a de dor cervical. Aqui o foco é a região torácica: o meio das costas e o espaço entre as escápulas.
O que pode contribuir
- Horas sentado, com o tronco parado. A coluna torácica foi feita para girar e se estender, e quase não fazemos isso no dia a dia.
- Costelas com pouca mobilidade, que limitam inclusive a respiração profunda.
- Tensão constante entre as escápulas, comum em quem trabalha com os braços à frente: computador, volante, bancada, celular.
- Estresse e respiração curta, que mantêm a musculatura em alerta.
- Dor que vem do pescoço e é sentida entre as escápulas.
Dor nas costas ao acordar
Acordar travado e melhorar depois de alguns minutos de movimento costuma estar relacionado a muitas horas na mesma posição, ao colchão e ao travesseiro, e a uma coluna que já vai para a cama rígida. Agora, rigidez matinal que dura mais de 30 a 60 minutos, melhora com exercício e piora com repouso, principalmente em pessoas jovens, deve ser investigada pelo médico, porque pode indicar um quadro inflamatório.
O que observar
- A dor muda com o movimento e com a posição, ou é constante?
- Piora ao respirar fundo, ao girar o tronco, ao ficar muito tempo sentado?
- É um ponto que “queima” entre as escápulas no fim do dia?
- Alivia quando você se alonga ou quando alguém aperta o local, e volta em seguida?
O que a avaliação investiga
Rotação e extensão da coluna torácica, mobilidade das costelas, padrão de respiração, o pescoço e os ombros, e a sua rotina de trabalho. Dor que muda claramente com movimento e posição tem mais chance de ser musculoesquelética. Dor que não muda com nada precisa de outra investigação.
Como eu trabalho
É uma região que costuma responder bem ao ganho de mobilidade. A osteopatia trabalha coluna torácica, costelas e diafragma. O dry needling pode ser usado em pontos musculares entre as escápulas, com técnica específica para a região. E há sempre orientação de movimento: pausas, rotações, extensão. Para manter o resultado, exercício regular ajuda muito, e o Pilates clínico é uma boa opção.
Sinais de alerta: procure atendimento médico
- Dor nas costas com aperto no peito, falta de ar, suor frio ou dor que vai para o braço ou a mandíbula: chame o SAMU (192).
- Dor que não muda com nenhum movimento ou posição, principalmente à noite.
- Febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer.
- Dor depois de queda, ou em pessoa com osteoporose, mesmo com esforço pequeno.
- Dor em faixa, que contorna o tronco, com lesões na pele.
Nessas situações, a prioridade é a avaliação médica, e não o agendamento de fisioterapia.
Fontes
- Briggs AM, et al. Thoracic spine pain in the general population: prevalence, incidence and associated factors in children, adolescents and adults. BMC Musculoskelet Disord. 2009;10:77.
- Hartvigsen J, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet. 2018;391:2356-2367.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação profissional. Só uma avaliação presencial permite entender o seu caso.



