Por Dr. Hélio Correia SobrinhoFisioterapeuta · CREFITO-3 79039-F · Atualizado em
A dor cervical costuma estar relacionada a um conjunto de fatores: pouca mobilidade na parte alta das costas, muitas horas na mesma posição, tensão sustentada nos ombros, sono ruim. Raramente é só “mau jeito”. Quando a dor é recorrente, a avaliação procura o que está sobrecarregando o pescoço.

O que pode contribuir para a dor cervical
O pescoço trabalha em equipe com a coluna torácica, os ombros e a mandíbula. Se a parte alta das costas está rígida, o pescoço precisa fazer sozinho um movimento que deveria ser dividido. É um achado muito frequente em quem trabalha sentado, dirige por muitas horas ou usa o celular com a cabeça projetada para frente.
- posições mantidas por muito tempo, mais do que a “postura errada” em si;
- tensão constante nos ombros, às vezes sem a pessoa perceber;
- apertar os dentes durante o dia ou à noite;
- travesseiro e posição de dormir que deixam o pescoço torcido por horas;
- desgastes no exame, que são comuns também em quem não sente nada.
O que observar
- A dor fica no pescoço ou sobe para a cabeça?
- Desce para o ombro, o braço ou a mão? Há formigamento?
- Você consegue girar a cabeça igual para os dois lados, por exemplo ao dar ré no carro?
- Piora ao longo do dia de trabalho ou já acorda ruim?
Quando procurar uma avaliação
Quando a dor se repete, quando limita o movimento da cabeça, quando vem junto com dor de cabeça frequente, ou quando aparece formigamento no braço. Formigamento e perda de força merecem avaliação sem demora.
O que a avaliação investiga
Além do pescoço, eu avalio a mobilidade da coluna torácica e das costelas, o movimento dos ombros, a musculatura da mandíbula e a sensibilidade e a força dos braços quando há sintomas que descem. A rotina entra na conversa: como você trabalha, dorme e se exercita.
Como eu trabalho a dor cervical
As diretrizes clínicas para dor no pescoço apontam a combinação de terapia manual com exercício como um dos caminhos com melhor respaldo. Na prática, isso pode significar osteopatia para devolver mobilidade ao pescoço e à parte alta das costas, dry needling quando há pontos musculares muito sensíveis, e exercícios simples para você fazer entre as sessões. Técnicas de manipulação no pescoço só são utilizadas quando a avaliação mostra que são seguras e adequadas para você, e sempre com a sua concordância.
Sinais de alerta: procure atendimento médico
- Dor no pescoço depois de acidente, queda ou pancada na cabeça.
- Perda de força no braço ou na mão, ou dificuldade nova para andar.
- Dor no pescoço com febre e rigidez para encostar o queixo no peito.
- Tontura forte, visão dupla, dificuldade para falar ou engolir.
- Dor no pescoço ou no braço junto com dor no peito ou falta de ar.
Nessas situações, a prioridade é a avaliação médica, e não o agendamento de fisioterapia.
Fontes
- Blanpied PR, et al. Neck Pain: Revision 2017. Clinical Practice Guidelines. J Orthop Sports Phys Ther. 2017;47(7):A1-A83.
- Nakashima H, et al. Abnormal findings on magnetic resonance images of the cervical spines in 1211 asymptomatic subjects. Spine. 2015;40(6):392-398.
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação profissional. Só uma avaliação presencial permite entender o seu caso.








