Por Dr. Hélio Correia SobrinhoFisioterapeuta · CREFITO-3 79039-F · Atualizado em
Na grande maioria dos casos, a dor lombar não vem de uma lesão grave e não tem uma causa única visível no exame. Quando ela melhora e volta, vale investigar o que pode estar sobrecarregando a região: quadril, coluna torácica, rotina, sono, medo de se mexer. É isso que a avaliação procura.

O que pode contribuir para a dor lombar
A lombar fica no meio do caminho entre o quadril e a coluna torácica. Quando uma dessas regiões se move pouco, a lombar costuma se mover demais para compensar. No consultório, é comum encontrar uma pessoa com a lombar “travada” e um quadril que mal gira, ou um tronco rígido de quem passa o dia sentado.
Além do movimento, entram na conta:
- longos períodos na mesma posição, sentado ou em pé;
- aumento repentino de carga: mudança de casa, academia depois de meses parado, um fim de semana de faxina;
- sono ruim, estresse e cansaço, que aumentam a sensibilidade à dor;
- medo de se movimentar depois de uma crise, que deixa o corpo mais rígido;
- alterações no exame, como hérnia de disco ou desgaste, que podem ou não estar relacionadas ao que você sente.
Os grandes estudos sobre o tema mostram que, na maior parte das pessoas, não é possível apontar uma única estrutura como “a culpada”. Isso não quer dizer que a dor é imaginária. Quer dizer que ela depende de um conjunto de fatores, e é esse conjunto que precisa ser entendido.
O que observar na sua dor
- Ela aparece ao acordar, depois de ficar sentado, ou no fim do dia?
- Piora ao dobrar o corpo para frente, ao se esticar para trás, ou ao girar?
- Fica só na lombar ou desce para a perna?
- As crises estão ficando mais frequentes ou mais longas?
- O que você deixou de fazer por causa dela?
Essas respostas valem mais do que parece. Muitas vezes o padrão da dor diz mais sobre o caso do que a imagem da ressonância.
Quando procurar uma avaliação
Quando a lombar trava de tempos em tempos, quando a dor dura mais do que algumas semanas, quando volta sempre que você para o tratamento, ou quando você começou a evitar movimentos por medo de travar de novo.
O que a avaliação investiga
Na avaliação, eu quero entender a história da dor e ver como o seu corpo se move: quadris, coluna torácica, a própria lombar, a forma como você se abaixa, levanta e respira. Testo força e sensibilidade quando há sintomas na perna. Se você tem exames, eles são lidos junto com tudo isso.
Como eu trabalho a dor lombar
O tratamento é montado a partir do que a avaliação encontra, e pode combinar recursos. A osteopatia entra para trabalhar mobilidade nas regiões que estão limitadas. O dry needling pode ser usado quando há pontos musculares muito sensíveis mantendo a tensão. A kinesio tape é um apoio pontual. E quase sempre há orientação de movimento, porque as diretrizes internacionais são claras: manter-se ativo, dentro do possível, é parte central do tratamento da lombar.
Não prometo número de sessões nem resultado igual para todos. O que eu me comprometo a fazer é procurar entender por que a sua dor está voltando.
Sinais de alerta: procure atendimento médico
- Perda de força em uma perna ou nas duas, principalmente se está piorando.
- Dormência na região íntima, entre as pernas ou ao redor do ânus.
- Dificuldade nova para urinar, ou perda de controle da urina ou das fezes.
- Febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer junto com a dor.
- Dor forte depois de queda, acidente ou pancada.
- Dor que não muda com nenhuma posição e piora à noite, em repouso.
Nessas situações, a prioridade é a avaliação médica, e não o agendamento de fisioterapia.
Fontes
- Hartvigsen J, et al. What low back pain is and why we need to pay attention. The Lancet. 2018;391:2356-2367.
- Foster NE, et al. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet. 2018;391:2368-2383.
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59).
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação profissional. Só uma avaliação presencial permite entender o seu caso.








