Por Dr. Hélio Correia SobrinhoFisioterapeuta · CREFITO-3 79039-F · Atualizado em
Hérnia de disco no exame é comum, inclusive em pessoas sem nenhuma dor. Ela pode ou não ser a responsável pelo que você sente. A maioria dos casos melhora com tratamento conservador e muitas hérnias diminuem sozinhas com o tempo. A cirurgia tem indicações precisas, definidas pelo médico. A avaliação serve para entender se os seus sintomas combinam com o que o laudo mostra.

O que o exame mostra, e o que ele não mostra
Uma revisão com mais de três mil pessoas sem nenhuma dor encontrou abaulamento de disco em cerca de 30% das pessoas de 20 anos e em mais de 80% aos 80, e protusão em cerca de 30% a 40% em todas as idades. Ou seja: alterações de disco fazem parte do envelhecimento normal da coluna, como os cabelos brancos.
Isso não significa que a sua hérnia é irrelevante. Significa que a pergunta certa não é “tenho hérnia?”, e sim “a minha hérnia explica o que eu estou sentindo?”.
Como saber se a hérnia é a causa da dor
Quando uma hérnia irrita uma raiz nervosa, o quadro costuma ter características próprias: dor que desce pela perna (ou pelo braço, na cervical) em um trajeto definido, muitas vezes mais forte na perna do que na lombar, com formigamento, e que piora ao tossir ou ao ficar sentado. Na avaliação, testes neurológicos e de movimento ajudam a ver se os sintomas combinam com o nível da hérnia descrita no laudo.
Quando a dor é só na lombar, sem nada na perna, a hérnia do exame pode ser apenas um achado.
Hérnia sempre precisa de cirurgia?
Não. A maioria das pessoas com ciática por hérnia melhora em semanas a poucos meses com tratamento conservador. Estudos de acompanhamento mostram que boa parte das hérnias, principalmente as maiores, é reabsorvida pelo próprio organismo.
Um estudo clássico comparou cirurgia precoce com tratamento conservador prolongado: quem operou aliviou a dor na perna mais rápido, mas depois de um ano os resultados dos dois grupos eram semelhantes. A cirurgia é um bom recurso em situações específicas, como dor incapacitante que não cede ou perda neurológica. Essa decisão é do médico, com você. O tratamento conservador não é uma alternativa universal à cirurgia, e eu não o apresento assim.
O que a avaliação investiga
A história da dor, o trajeto dos sintomas, força, reflexos e sensibilidade, os movimentos que aliviam e os que pioram, e como quadril e coluna torácica estão se movendo. Leve o exame e o laudo. Se houver qualquer sinal de comprometimento neurológico importante, eu encaminho para avaliação médica antes de tratar.
Como eu trabalho
Na fase de muita dor, o objetivo é acalmar: posições de alívio, movimentos que o corpo tolera, técnicas manuais suaves nas regiões vizinhas. Conforme melhora, entram mobilidade, exposição gradual ao movimento e força. A osteopatia é usada com técnicas escolhidas para o seu quadro, e há técnicas que simplesmente não são feitas quando existe irritação nervosa importante. O dry needling pode ajudar na musculatura que fica em defesa. Depois, manter-se ativo, por exemplo com Pilates clínico, ajuda a sustentar o resultado.
Sinais de alerta: procure atendimento médico
- Perda de força em uma perna ou nas duas, principalmente se está piorando.
- Dormência na região íntima, entre as pernas ou ao redor do ânus.
- Dificuldade nova para urinar, ou perda de controle da urina ou das fezes.
- Febre, perda de peso sem explicação ou histórico de câncer junto com a dor.
- Dor forte depois de queda, acidente ou pancada.
- Dor que não muda com nenhuma posição e piora à noite, em repouso.
Nessas situações, a prioridade é a avaliação médica, e não o agendamento de fisioterapia.
Fontes
- Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-816.
- Chiu CC, et al. The probability of spontaneous regression of lumbar herniated disc: a systematic review. Clin Rehabil. 2015;29(2):184-195.
- Peul WC, et al. Surgery versus prolonged conservative treatment for sciatica. N Engl J Med. 2007;356:2245-2256.
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59).
Este conteúdo é educativo e não substitui uma avaliação profissional. Só uma avaliação presencial permite entender o seu caso.


